quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Resenha #3 - Doutor Estranho - O Juramento

...Stephen Strange foi um grande cirurgião, hoje é um grande mago. Enquanto médico, fez o Juramento de Hipócrates, no qual jurou praticar a medicina honestamente. Hoje, enquanto Mago Supremo, ele pode fazer escolhas...

Doutor Estranho - O Juramento, Panini,2016

Dividida em uma minissérie de 5  partes, O Juramento (Doctor Strange: The Oath) foi publicado em 2006 lá fora e aqui no Brasil em 3 oportunidades (2014, pela Salvat e 2007 e 2016 pela Panini) e é considerada uma das grandes histórias do Doutor Estranho. E de fato é!

A história conta uma descoberta do Doutor que pode mudar o Status Quo da medicina.
Quando seu fiel ajudante Wong, é diagnosticado com um tumor cerebral, Stephen Strange não mede esforços e vais até  dimensões mais obscuras atrás de um elixir que pode curar seu amigo, mas ao retornar, descobre que está de posse de algo que pode ser a cura de todos os cânceres do mundo.
Um roubo misterioso, faz Doutor Estranho e Wong ingressarem numa investigação perigosa e deflaga com algumas questões éticas, cruciais para o destino de todos.

O roteiro é de Brian K.Vaughan (autor do excelente Y, o Último Homem) e traz uma pequena série, mas importante para quem não está familiarizado com o universo mágico do Doutor Estranho. 
Ao mesmo tempo que Vaughan reconta as origens do mago (mesmo que  brevemente) e apresenta um pouco do seu universo, ele nos trás uma bela história de conceitos éticos, conspiração e decisões conflitantes do já experiente Doutor. Inclui também os personagens da Enfermeira Noturna e do Wong de forma ávida e importante para a história. 


Um ponto não satisfatório para mim foi a apresentação e desenvolvimento do antagonista do Doutor e a falta de mais esclarecimentos sobre sua posição sobre o tal elixir, faltou algo ali...

Enfim, para quem só conhece Doutor Estranho pelo cinema, temos aqui algo recomendável para iniciar, indispensável e de fácil acesso. A porta de entrada para o universo místico da Marvel, e para novos conceitos que serão altamente ampliados se você visitar o Doutro Estranho de Steve Ditko e toda psicodelia nas histórias dos anos 70...

Carpe Diem, Carpe Gibis!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Resenha #2 - Batman - Asilo Arkham

...Grant Morrison é conhecido por seus roteiros lisérgicos, narrativa diferenciada e complexa. O desenhista Dave McKean é conhecido por seu deslumbrante trabalho gráfico, um mestre na composição artística. Batman é O Batman!
Em 1989 a DC Comics juntou esses 3 ícones e o resultado foi a aclamada graphic novel
"Asilo Arkham - Uma Séria Casa em um Sério Mundo" (Arkham Asylum: A Serious House on Serious Earth), uma obra fechada, peculiar e que se tornou uma das mais aclamadas do universo do morcego.

Asilo Arkham, Panini 2016

A história começa quando o Coringa causa um motim na Prisão do Arkham, toma reféns e pede a presença do Batman para um joguinho particular. Outros famosos inimigos do morcego estão ali, Duas Caras, Mascara Negra, Killer Croc entre outros, aproveitando o caos para iniciar singelas vinganças contra seu maior algoz. Coringa e os demais sempre causaram dor de cabeça ao Batman, mas a medida que a história se desenrola, vemos um Batman sufocado, tenso e as vezes com medo, e entender o que está causando isso é o segredo da história. Paralelo a isso, temos contada a história do fundador do Asilo Arkham, o Ammadeus Arkham, lá nos anos 20, e essa história ecoa nos fatos presentes...

Relendo pela 3ª vez, acho que já consigo perceber bem mais coisas intrínsecas dentro da história. Trata-se de um conto de terror psicológico, onde as ações do Batman, seu antagonista amoral Coringa e um 3º personagem caminham lado a lado e um influenciando a outra. E é dentro desta narrativa, não tão linear e explicita, qua arte de Dave McKean se sobressai e torna-se essencial na obra, A composição de cada página é belíssima, e expressa coisas que os diálogos de Morrison podem ter passados despercebidos a uma primeira lida.


Esta edição definitiva, relançada pela Panini em 2016 (já fora lançada pela editora Abril em 1990 e pela própria Panini em 2013, com letramento errado), contém na parte dos extras, o roteiro completo escrito por Morrison, com comentários do próprio autor, explicando o que ele queria inicialmente, o que não deixaram publicar e muitas explicações no geral que vão ajudar na compreensão da leitura com toda certeza. Também varias artes conceituais de McKean. Uma edição primorosa, uma história impactante, a altura do que o Homem-Morcego, o palhaço do crime e o leitor exigente, merecem.

Carpe Diem, Carpe Gibis!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Resenha #1 - Maus

...pois bem, iniciando os posts de resenhas de materiais que li, nada mais justo do que iniciar com aqueles que mais gostei até hoje. E escolhi a HQ "Maus", de Art Spiegelman, lançada em 1980, sendo finalizada em 91. No Brasil, chegou em 1987 pela Editora Brasiliense e atualmente, é facilmente encontrado  pelo selo Quadrinho na Cia.

Maus - A História de um Sobrevivente - Cia das Letras, 2009

Spiegelman é sueco, filho de judeus e escolheu uma tragédia familiar para retratar e nos contar:
O Holocausto.
Sim, a tragédia pessoal dele, também é de muitos e já conhecemos bem. Iniciando a leitura, vemos que não é exatamente ele o retratado na obra e sim, seu pai Vladek, e a saga vivida por ele durante a Segunda Guerra Mundial.

Há dois pontos interessantes aqui. A primeira, como não poderia deixar de ser, a história é forte
(o Holocausto assim o foi), detalhes pesados são contados e histórias tristes vem à tona.
O segundo ponto, foi como Art Spiegelman resolveu caracterizar seus pais, a si mesmo e todas as pessoas relatadas: Todas são desenhadas como animais, antropomórficos, onde cada povo foi transformado em um animal distinto ( judeus como ratos, alemães como gatos, poloneses como porcos, etc.).
Isso pode ter suavizado a história a um primeiro olhar?
Sim, pode, mas gosto de ver um outro aspecto bacana. Colocando todos os judeus como ratos, não vemos apenas Vladek e sua esposa Anja sofrendo e sim, vemos toda a raça judia como um todo, assim como quando vemos os porcos, ou os gatos, ou até os incômodos cachorros (estadunidenses), vemos grupos distintos, separados, lutando pelo seu próprio ideal. Aquele papinho de que " somos todos humanos" é bonitinho, mas não condiz com as ações ocorridas em um capitulo tenso das relações "humanas".
Uma frase do velho Hitler cai bem aqui:
"Os judeus são indubitavelmente uma raça, mas eles não são humanos".
Ninguem é, e Art nos deu uma boa sacada aqui ;)

Fazendo um apanhado rápido sobre a HQ, Spiegelman mostra como a ideia de contar esta história surgiu, as conversas com o pai e o desenrolar dos momentos onde Vladek vai contando o que passou, desde as primeiras noticias de perseguições a judeus, indo até onde suas memórias poderiam nos contar. Em paralelo a isso, Art também retrata seu relacionamento com o pai, hoje, um velho um tanto quanto ranzinza e como toda a triste experiência pode tê-lo moldado a este velhinho chato.

A arte é boa, as vezes simples e sua narrativa flui facilmente.

Tive uma grande experiência lendo esta obra, li na adolescência, reli no último ano e lerei até o fim da vida novamente. É uma daquelas obras que fascinam, por contar a realidade, por ter uma narrativa excepcional, e por nos ensinar muito sobre o que somos, o que fizemos e como fizemos a história.

Um quadrinho pode arrancar sorrisos quando lemos sobre uma dentucinha aloprando os amigos, ou quando vemos um menino e seu tigre. Um quadrinho pode nos levar a mundos Kryptonianos ou ao Japão feudal. Mas um quadrinho também pode te dar um soco no estômago, e nos fazer refletir e pensar de uma forma primorosa.

Carpe Diem, Carpe Gibis!

domingo, 1 de janeiro de 2017

Bem-vindos!

Olá amigos! Bem-vindos a este pequeno espaço literário...
Por favor, sente-se, pegue um café, um gibi e venha resenhar comigo cada obra, nova ou velha, independente ou do mainstream, não importa, o importante é que ela valha a pena ser compartilhada, seja a experiência, diversão, perturbações ou qualquer coisa que ela te proporcione. Vou tentar usar estas linha para fazer o mesmo, expor cada quadrinho que passe pelas minhas mãos, conversar sobre colecionismo e ao mesmo tempo, interagir com mais e mais pessoas, opiniões distintas ou que corroborem as minhas, tudo que seja útil para aproveitarmos cada obra da nona arte.

Escolhi como título do blog, um trocadilho besta, usando a velha e manjada expressão do latim
"Carpe Diem" ("Aproveite o Dia"), em prol do universo dos gibis, por que no final, é isso que temos que fazer em tudo na vida! Carpe Diem, Carpe Noctem, Carpe Gibis!!